Participação cresceu entre 2022 e 2025; avanço das admissões vem acompanhado de mais desligamentos e exige atenção do RH à retenção.
Profissionais com 40 anos ou mais representavam 47,8% do estoque de empregos formais em 2025, ante 44,4% em 2022. O recorte foi divulgado pela Folha de S.Paulo em 1º de novembro de 2026, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais). A diferença é de 3,4 pontos percentuais.
Para Recursos Humanos (RH), o resultado dá dimensão à presença de trabalhadores maduros nas equipes. Ele exige, porém, uma leitura cuidadosa: participação no emprego, volume de contratações e estabilidade são indicadores diferentes.
Rais mostra avanço das faixas acima de 40 anos
O Sumário Executivo da Rais 2025, do Ministério do Trabalho e Emprego, registra o maior aumento absoluto de vínculos na faixa de 40 a 49 anos. Foram 859.030 vínculos a mais que em 2024, expansão de 6%.
Entre 50 e 59 anos, o acréscimo foi de 665.865 vínculos, ou 7,6%. Esses resultados oficiais ajudam a contextualizar a maior presença de profissionais maduros no mercado formal.
A Rais reúne registros de vínculos de trabalho. Portanto, um vínculo não equivale necessariamente a uma pessoa: um trabalhador pode manter mais de um contrato. O estoque também não corresponde ao número de vagas abertas para seleção.
Contratações crescem junto com desligamentos
No levantamento da Folha sobre o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as admissões de pessoas 40+ cresceram 32% entre janeiro e agosto de 2026, frente ao mesmo período de 2022. No mercado formal total, a alta foi de 19%.
Os desligamentos desse grupo aumentaram 40% na mesma comparação. Assim, a expansão das entradas ocorreu junto com maior movimentação de saídas. Os percentuais não demonstram que a recolocação ficou fácil ou que o preconceito por idade deixou de existir.
Também não é correto subtrair essas duas taxas para calcular o saldo de empregos. Cada variação tem uma base própria; o saldo depende dos volumes absolutos de admissões e desligamentos.
O que os números permitem avaliar no RH
Na gestão de pessoas, uma aplicação prática é examinar separadamente quem entra, quem permanece e quem sai. Comparar esses movimentos por faixa etária, cargo e área pode ajudar a identificar pontos que merecem investigação na empresa.
Na seleção, vale revisar se as exigências das vagas descrevem competências necessárias ao trabalho. Idade, por si só, não informa domínio técnico, capacidade de aprender ou desempenho individual.
A maior presença dos profissionais 40+ reforça a importância de planejar qualificação e continuidade das equipes com critérios claros. Para aprofundar esse contexto, o Blog do RH reúne orientações sobre convivência entre gerações no ambiente de trabalho.