Levantamento do MTE registra 361 beneficiários em 2025; para o RH, atenção aos sinais deve levar ao acolhimento e à avaliação profissional.

O número de trabalhadores que receberam benefício por incapacidade temporária relacionado ao vício em jogos passou de 67, em 2023, para 361, em 2025. O levantamento foi divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 28 de outubro de 2026. Em 2024, foram 157 beneficiários.

Elaborado pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, o estudo considerou benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Foram selecionados registros com o código F63.0 da Classificação Internacional de Doenças (CID), referente ao jogo patológico, como diagnóstico principal ou secundário. Os dados constam da divulgação oficial do MTE.

O que os números mostram

O total de 2025 corresponde a cerca de 5,4 vezes o de 2023. Entre os trabalhadores com vínculo ativo analisados de forma agregada no período, 71% eram homens. A maior concentração estava entre 30 e 39 anos, com 44,1%.

O recorte não representa todos os trabalhadores com dependência em jogos. Também não permite atribuir todos os casos às apostas eletrônicas, pois o diagnóstico abrange diferentes modalidades de jogo. Receber o benefício tampouco demonstra, por si só, que a doença foi causada pelo trabalho.

Quais sinais merecem atenção do RH

Para Recursos Humanos (RH), o resultado reforça a importância de um caminho de acolhimento. Segundo as orientações do Ministério da Saúde, sinais de problemas incluem dificuldade para controlar as apostas, comprometimento do orçamento, mudanças no sono ou no humor e conflitos pessoais ou profissionais ligados ao jogo.

Esses sinais não estabelecem diagnóstico. Uma mudança de comportamento ou dificuldade no trabalho pode ter diversas causas. Por isso, a recomendação para gestores é conversar de forma reservada, ouvir sem julgamento e orientar a procura por avaliação profissional.

Na empresa, vale definir quem recebe um pedido de ajuda e como encaminhá-lo à saúde ocupacional ou ao serviço de apoio disponível. Relatos de saúde devem ser tratados com confidencialidade, evitando exposição à equipe. A liderança não deve tentar confirmar um transtorno nem transformar observações da rotina em rótulos sobre o trabalhador.

O debate se conecta à atuação conjunta de RH e saúde ocupacional, abordada também no conteúdo sobre saúde mental e gestão de riscos no trabalho.

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Onde buscar atendimento

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acolhimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O Ministério da Saúde também informa que pessoas afetadas e familiares podem solicitar teleatendimento gratuito e sigiloso pelo Meu SUS Digital.

O aplicativo oferece um autoteste, mas sua realização não é exigida para solicitar atendimento. O questionário orienta a busca por cuidado e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.