Levantamento divulgado em abril de 2026 ouviu 250 líderes de médias e grandes empresas; falta de conhecimento técnico lidera os obstáculos.
A dificuldade para contratar profissionais de tecnologia foi relatada por 98% das empresas representadas na pesquisa Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências, da Ford com o Datafolha. Divulgado em 23 de abril de 2026, o levantamento ouviu 250 líderes de Recursos Humanos (RH) e Tecnologia da Informação (TI) de médias e grandes empresas brasileiras.
Os resultados descrevem esse grupo de organizações, de diferentes setores e regiões. Não representam todas as empresas do país nem constituem uma medição atualizada de outubro.
Conhecimento técnico e experiência pesam na contratação
Entre as empresas ouvidas, 72% apontaram falta de conhecimento técnico e 54%, ausência de experiência. Metade informou levar de um a dois meses para preencher vagas. Especialistas em inteligência artificial (IA), citados por 35%, e engenheiros de software, por 31%, estavam entre os perfis mais difíceis de contratar.
Além disso, 37% disseram rejeitar frequentemente ou sempre candidatos tecnicamente aptos por falta de habilidades comportamentais, também chamadas de soft skills.
O que os resultados indicam para o RH
Para a gestão, a distinção entre falta de qualificação e demora no processo merece atenção. São problemas que pedem respostas diferentes. Ampliar a divulgação de uma vaga pode aumentar o número de candidaturas, mas não garante que os profissionais tenham as competências exigidas.
Uma resposta prática é revisar o perfil com a liderança técnica antes de abrir a seleção. Convém separar conhecimentos indispensáveis para começar daqueles que podem ser desenvolvidos após a admissão. Isso ajuda a evitar exigências sem relação direta com as tarefas do cargo.
Na avaliação, o RH pode pedir exemplos de projetos e propor atividades curtas, ligadas ao trabalho real. Para habilidades comportamentais, perguntas sobre situações vividas permitem discutir colaboração, resolução de problemas e comunicação com critérios definidos previamente.
O prazo de contratação também deve ser acompanhado por etapa. Espera por entrevistas, demora no retorno do gestor e falta de candidatos qualificados exigem intervenções distintas. O levantamento não permite calcular, sozinho, o custo das vagas abertas ou o impacto financeiro para cada negócio.
Automação ajuda no processo; formação exige investimento
Um sistema de gestão de candidatos, conhecido pela sigla ATS, pode apoiar a organização dessa rotina. O ATS da Empregare reúne etapas de seleção, banco de talentos e avaliações por competências, conforme a descrição oficial da plataforma.
Já o Entrevistador por IA conduz entrevistas de triagem pelo WhatsApp ou pelo site e consolida respostas para o RH. A equipe define perguntas e a etapa em que a entrevista será realizada. O Blog do RH detalha como funciona essa triagem automatizada.
Esses recursos podem reduzir tarefas operacionais e organizar evidências para a avaliação. Não formam profissionais nem eliminam a escassez de competências. Cabe à empresa combinar a revisão do recrutamento com capacitação, acompanhamento de novos contratados e desenvolvimento de talentos internos.
Como a pesquisa foi feita
Segundo a nota metodológica divulgada pela Ford, o estudo foi quantitativo, com questionário online preenchido pelos participantes. A margem de erro máxima informada foi de seis pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
