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Bem-estar virou pauta, mas não virou prática nas empresas brasileiras

Bem-estar virou pauta, mas não virou prática nas empresas brasileiras

Estudo com 11,6 mil profissionais mostra por que jovens, mulheres e pessoas pretas estão mais insatisfeitos no trabalho.

Nunca se falou tanto em bem-estar no trabalho. Mas, em 2025, os números mostram que algo está dando errado.

Enquanto discursos se multiplicam, a vida real de quem trabalha ficou mais pesada — especialmente para jovens, mulheres e pessoas pretas.

É o que revela o Check-up de Bem-estar 2025, maior estudo sobre o tema no Brasil, que ouviu 11.600 profissionais no primeiro semestre do ano. O levantamento desmonta uma narrativa confortável: falar de bem-estar não significa, necessariamente, promovê-lo.

Insatisfação cresce e expõe quem mais sofre

Os dados mostram que o bem-estar geral piorou em 2025 em comparação com o ano anterior. A insatisfação aumentou para homens e mulheres, mas não de forma igual.

O estudo deixa claro: as médias escondem desigualdades profundas.

A Geração Z começa a vida profissional já esgotada

Entre todos os grupos analisados, a Geração Z aparece como a mais insatisfeita com o bem-estar geral e com a saúde mental.

O dado mais alarmante:

A leitura é dura: o esgotamento está começando cada vez mais cedo. E isso tem implicações diretas para engajamento, produtividade, absenteísmo e rotatividade.

A dupla jornada segue sendo feminina — e racializada

O estudo mostra que a chamada dupla jornada — trabalhar fora e cuidar da casa e da família — continua recaindo de forma desproporcional sobre as mulheres.

Quando o recorte racial entra na análise, a desigualdade se aprofunda. Mulheres pretas e pardas enfrentam níveis ainda maiores de sobrecarga, o que se reflete diretamente em:

Políticas “neutras”, portanto, não dão conta de realidades tão diferentes.

O recorte racial do bem-estar no trabalho

Um dos pontos mais contundentes do Check-up de Bem-estar 2025 é mostrar que o bem-estar tem cor.

Na dimensão financeira:

Essa desigualdade não se limita ao salário. Ela envolve estabilidade familiar, redes de apoio e acesso histórico a oportunidades. O resultado é um ciclo contínuo de estresse, que afeta o corpo, a mente e o desempenho profissional.

Como aponta o estudo, a desigualdade não mora só no contracheque — ela mora no corpo.

Saúde mental: consciência alta, ação baixa

Mesmo diante de um cenário emocional crítico, 30% dos profissionais afirmam não fazer nada para cuidar da saúde mental.

Entre as principais formas de cuidado adotadas:

O dado revela uma contradição importante: as pessoas sabem que precisam cuidar da saúde mental, mas não conseguem transformar isso em prática. Custo, acesso, estigma e exaustão ajudam a explicar esse bloqueio.

Autocuidado em contradição: mais consciência, menos prática

Outros pilares do bem-estar reforçam esse descompasso:

Ou seja, há mais consciência, mas menos energia para agir.

O alerta que os dados deixam para RHs e lideranças

O Check-up de Bem-estar 2025 não aponta soluções mágicas. Mas deixa um recado claro: o problema não é falta de discurso, é falta de enfrentamento estrutural.

Para empresas e lideranças, os dados indicam que:

Transformar bem-estar em prática exige mais do que campanhas. Exige prioridade, investimento direcionado e coragem para encarar dados desconfortáveis.

Porque, em 2025, os números mostram: falar de bem-estar é fácil. Difícil é mudar a realidade de quem trabalha.

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