As mulheres no mercado de trabalho brasileiro avançaram significativamente nas últimas décadas. Hoje, estão mais escolarizadas, ocupam mais espaços formais e ampliaram sua presença em diversas áreas profissionais.
Mas os dados mostram: a desigualdade ainda existe — e o RH tem um papel central nessa transformação.
Com base no Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho (MTE, março/2025), reunimos os principais avanços, desafios e caminhos práticos para empresas que querem evoluir.
Participação feminina no mercado de trabalho: o que os dados mostram
Em 2024, a taxa de participação feminina na força de trabalho foi de 52,8%, contra 72,6% dos homens. Ou seja: mesmo com crescimento ao longo dos anos, ainda há uma diferença estrutural significativa.
Outro dado importante:
-
Taxa de desocupação feminina em 2024: 7,7%
-
Taxa de desocupação masculina: 5,3%
Embora a diferença tenha diminuído recentemente, mulheres seguem mais expostas ao desemprego.
Além disso, a subocupação (trabalhar menos horas do que gostaria) foi de:
-
5,8% para mulheres
-
4% para homens
Esses números revelam que a inserção feminina ainda ocorre em condições mais vulneráveis.
Mercado formal: houve avanço
Há um ponto positivo importante.
Em 2023, as mulheres representavam 44,7% dos vínculos formais no Brasil, percentual que vem crescendo ao longo dos anos. Isso demonstra maior acesso ao emprego com carteira assinada e estabilidade.
No entanto, quando analisamos os setores:
-
Mulheres são maioria em educação, saúde e serviços sociais (65,1%)
-
São maioria em alojamento e alimentação (57,2%)
-
Mas representam apenas 11,1% na construção
-
E apenas 29,6% na indústria
Ou seja: ainda há forte segregação ocupacional.
Mulheres em STEM: o maior gargalo
Mesmo sendo maioria entre profissionais com ensino superior (58,1%), a presença feminina nas áreas STEM ainda é baixa.
Em 2023:
-
Apenas 26,3% dos vínculos formais em STEM eram de mulheres
-
Em tecnologia, esse número cai para 23,2%
-
Em engenharia, 25,2%
E essas são justamente as áreas com maiores salários médios.
Isso amplia o impacto da desigualdade salarial.
Desigualdade salarial: o desafio que persiste
Em 2024, as mulheres receberam, em média, 78% do rendimento dos homens. O mais preocupante:
A razão de horas trabalhadas chegou a 90%. Ou seja, mulheres trabalham praticamente a mesma quantidade de horas, mas continuam ganhando menos.
Além disso, cargos de liderança ainda apresentam baixa representatividade feminina:
O percentual de mulheres como diretoras e gerentes permanece entre 37% e 40% ao longo dos anos.
O papel estratégico do RH na transformação
Os dados mostram que a desigualdade não é apenas cultural — ela é estrutural. E é exatamente aí que o RH estratégico entra.
1. Recrutamento baseado em dados
Acompanhar indicadores por gênero ao longo do funil:
-
Candidaturas
-
Entrevistas
-
Aprovações
-
Promoções
Sem dados, não há gestão de diversidade.
2. Processos seletivos estruturados
Reduzir vieses inconscientes exige:
-
Critérios objetivos
-
Avaliação padronizada
-
Análise baseada em competências
3. Monitoramento de equidade salarial
RH precisa acompanhar:
-
Faixas salariais por cargo
-
Tempo médio de ascensão
4. Incentivo à presença feminina em STEM e liderança
Programas internos de:
-
Mentoria
-
Capacitação técnica
-
Plano de sucessão com metas claras de diversidade
Mulheres no mercado de trabalho: responsabilidade compartilhada
Os avanços são reais. A participação feminina cresceu. A formalização aumentou. Mas os dados deixam claro: a igualdade ainda não foi alcançada. Empresas que atuam estrategicamente:
-
Reduzem desigualdades
-
Aumentam inovação
-
Fortalecem cultura organizacional
-
Melhoram resultados financeiros
Diversidade não é apenas pauta social.
É estratégia de negócio.
Como a tecnologia pode apoiar o RH
Um RH orientado por dados consegue:
-
Medir diversidade no funil de contratação
-
Identificar gargalos de promoção
-
Acompanhar indicadores de equidade
-
Garantir critérios padronizados
Ferramentas de recrutamento estruturadas ajudam a reduzir subjetividade e promover processos mais justos.
Gostou desse conteúdo? Assine nossa newsletter e receba mais conteúdos como esse em seu e-mail.
