Estratégia, posicionamento e leitura do jogo corporativo explicam o avanço feminino em cargos de decisão.

Elas estudaram, entregaram resultados e se tornaram indispensáveis — mas, ainda assim, a promoção nunca chega. Não é falta de talento. É falta de estratégia, posicionamento e leitura do jogo corporativo.

Nos últimos anos, a mentoria de carreira deixou de ser um “extra” e passou a ocupar o centro das decisões de mulheres que avançam mais rápido, conquistam autoridade e chegam aos cargos de liderança.

Mulheres competentes, carreiras travadas

Nomes como Sheryl Sandberg, Gisele Bündchen e Ana Fontes costumam ser citados como exemplos de sucesso feminino. O que raramente aparece no debate é o caminho estratégico que sustenta essas trajetórias.

No ambiente corporativo, mulheres ainda enfrentam barreiras menos visíveis — mas extremamente eficazes:

  • Menor acesso a patrocinadores internos

  • Falta de reconhecimento político, mesmo com alta performance

  • Dificuldade de se posicionar sem sofrer punições simbólicas

  • Promoções condicionadas à “prontidão eterna”, nunca ao mérito já comprovado

Esse cenário ajuda a explicar por que tantas profissionais altamente qualificadas param no meio do caminho.

O que é mentoria de carreira — e por que ela funciona

Diferente de cursos, treinamentos pontuais ou conselhos informais, a mentoria de carreira atua onde a maioria dos bloqueios realmente está: na estratégia.

Segundo Gabi Braitt, economista, executiva e mentora com mais de 16 anos de experiência no mundo corporativo, a mentoria vai além do discurso motivacional.

“A mentoria envolve identificar pontos fortes, desenvolver habilidades de liderança e construir uma rede de contatos sólida, fundamental para crescimento e visibilidade”, afirma.

Na prática, isso significa:

  • Clareza sobre o próximo passo da carreira

  • Leitura política do ambiente corporativo

  • Desenvolvimento de autoridade e presença executiva

  • Estratégias para ganhar visibilidade sem se desgastar

Por que a mentoria acelera promoções

Promoções raramente acontecem apenas por desempenho técnico. Elas são resultado de percepção de valor, confiança e posicionamento.

Mulheres que passam por processos estruturados de mentoria tendem a:

  • Antecipar movimentos de carreira, em vez de reagir a oportunidades

  • Comunicar resultados com mais impacto

  • Negociar salário e cargos com mais segurança

  • Ser lembradas quando decisões estratégicas são tomadas

De acordo com Gabi Braitt, mulheres mentoradas aceleram promoções, ampliam reconhecimento interno e desenvolvem competências essenciais para liderar com confiança e impacto.

Liderança feminina não se improvisa

Outro ponto-chave é o desenvolvimento de habilidades que raramente aparecem em cursos tradicionais:

  • Comunicação estratégica

  • Tomada de decisão sob pressão

  • Gestão de conflitos

  • Presença em ambientes dominados por homens

A mentoria funciona como um laboratório seguro, onde essas competências são desenvolvidas com orientação prática, feedback realista e visão de longo prazo.

“É um catalisador que transforma potencial em resultados concretos”, resume Gabi.

O impacto vai além da carreira individual

O efeito da mentoria não se limita à mulher mentorada. Quando mais mulheres chegam preparadas aos cargos de decisão, o ambiente corporativo muda.

  • Empresas se tornam mais diversas e estratégicas

  • Novas lideranças inspiram outras mulheres

  • Cria-se um efeito multiplicador no mercado de trabalho

Para Gabi Braitt, esse é um ponto central: lideranças femininas bem preparadas não apenas ocupam espaços, elas redefinem padrões.

Mentoria não é tendência. É estratégia.

Em um mercado cada vez mais competitivo, esperar reconhecimento espontâneo pode custar anos de carreira. A mentoria surge, nesse cenário, como um atalho inteligente, usado por mulheres que entenderam que talento precisa ser acompanhado de estratégia.

Como mostra a reportagem publicada em O Globo, a mentoria deixou de ser exceção e passou a ser um dos principais caminhos para mulheres que querem não apenas crescer, mas chegar ao topo com consistência, autoridade e impacto real.

Não se trata de trabalhar mais. Trata-se de jogar melhor. E, para isso, cada vez mais mulheres estão escolhendo não caminhar sozinhas.