DP e RH podem liderar a revisão da contribuição previdenciária e evitar pagamentos desnecessários.
Enquanto muita empresa trata o INSS como um custo “imutável”, outras já estão economizando milhares de reais todos os meses de forma legal. A diferença não está em sonegar — está em planejar. E, em 2026, DP e RH têm um papel decisivo nessa equação.
A contribuição previdenciária patronal segue sendo um dos maiores pesos da folha de pagamento no Brasil. O percentual padrão de 20% sobre a folha impacta diretamente o custo por colaborador, reduz margem e limita investimentos. O problema é que, em muitos casos, esse valor está sendo pago sem revisão crítica.
Neste cenário, o Departamento Pessoal e o RH deixam de ser apenas operacionais e passam a ser atores estratégicos na gestão de custos e riscos.
Por que o INSS patronal virou uma dor silenciosa nas empresas
Na prática, o INSS patronal é tratado como algo automático: calcula, recolhe e segue o jogo.
Mas essa postura esconde três problemas graves:
Pagamentos indevidos ou maiores do que o necessário
Falta de análise sobre alternativas legais disponíveis
Ausência do DP/RH nas decisões de planejamento tributário
Em empresas intensivas em mão de obra, o impacto é direto no caixa. Em médio prazo, a soma desses valores pode representar milhões de reais desperdiçados.
O erro mais comum do DP e do RH ao lidar com o INSS
O erro não é técnico. É mental.
Muitos profissionais de DP/RH acreditam que:
“INSS é assim mesmo, não tem o que fazer.”
Isso não é verdade.
Existem hipóteses legais que permitem reduzir, substituir ou reorganizar a contribuição previdenciária. O problema é que essas análises quase sempre ficam restritas ao fiscal ou ao jurídico — quando deveriam começar na leitura da folha, feita pelo DP.
Quando a empresa pode legalmente pagar menos INSS em 2026
Empresas no Simples Nacional
No Simples, o INSS patronal está embutido no DAS, o que já representa uma redução em relação aos 20% da folha.
Mas atenção:
Dependendo do anexo, a carga previdenciária pode ser maior do que o necessário;
Um enquadramento incorreto impacta diretamente o custo da folha;
Revisões de atividade e fator R podem gerar economia relevante.
Aqui, o DP/RH tem papel essencial ao fornecer dados corretos de folha e pró-labore.
Desoneração da folha (Lei nº 12.546/2011)
A desoneração permite substituir os 20% sobre a folha por uma alíquota sobre o faturamento, que varia de 1% a 4,5%, conforme o setor.
Em 2026, setores como:
Tecnologia da informação
Construção civil
Transporte
Call centers
seguem com essa possibilidade, desde que a opção seja vantajosa.
Importante: a adesão é facultativa. Escolher sem simulação pode gerar aumento de carga, não redução.
Contratações via cooperativas ou autônomos: cuidado redobrado
Em determinados modelos, a empresa pode não recolher os 20% de INSS patronal.
Mas esse caminho exige atenção máxima.
Se houver:
Subordinação
Habitualidade
Pessoalidade
o risco de reconhecimento de vínculo empregatício é alto, com impacto trabalhista e previdenciário.
Aqui, o DP/RH atua como linha de defesa, identificando riscos antes que virem passivo.
Benefícios fiscais e regimes especiais
Algumas empresas contam com:
Isenção total ou parcial do INSS
Incentivos regionais
Regimes especiais estaduais ou municipais
Casos como Zona Franca e Áreas de Livre Comércio são exemplos clássicos. Nem sempre o DP/RH é informado desses benefícios — e isso gera perda de oportunidade.
O papel estratégico do DP e do RH na redução do INSS
Reduzir o INSS não começa na lei. Começa na folha.
DP e RH são quem:
Conhecem a estrutura de cargos
Entendem jornadas, adicionais e benefícios
Identificam distorções na composição salarial
Quando esses dados não chegam corretamente ao contador ou ao jurídico, o planejamento nasce errado.
👉 Em 2026, DP/RH que dominam esses números passam a:
Influenciar decisões estratégicas
Ganhar espaço junto à diretoria
Ser reconhecidos como área de valor, não apenas de custo
Reduzir INSS não é sonegar. É planejar.
Essa distinção precisa ficar clara.
Planejamento previdenciário:
Tem base legal
É documentado
Considera riscos trabalhistas
Respeita as regras do INSS e da Receita Federal
O risco está em não planejar.
Empresas que ignoram essa revisão continuam pagando mais do que deveriam — e, pior, sem perceber.
2026 é o ano para revisar a folha com olhar estratégico
Quem atua em DP ou RH precisa se fazer a pergunta certa:
Estamos pagando o INSS correto ou apenas o automático?
Revisar a contribuição previdenciária não é um projeto fiscal isolado. É uma decisão de gestão, que passa diretamente pela folha.
Quem liderar essa discussão agora vai economizar, ganhar relevância interna e evitar riscos futuros. Quem deixar para depois vai continuar pagando a conta — mês após mês.
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